Lembro-me imenso que a Mãe nos seus propósitos diários e nas suas orações se comprometia a não dar nas vistas, a ouvir os outros, a fazer o possível por ser mais recatada no que dizia e não querer estar na crista da onda...
Eu sofro do mesmo mal.
Todos os dias me comprometo a não ser indiscreta, a falar menos, a não contar a minha vida a toda a gente, a não ser desbocada...
Cada um nasce como nasce e por mais que tente acaba sempre por fazer as mesmas asneiras.
Arranjei um sarilho enorme no cabeleireiro onde costumo ir.
Houve uma delas que me contou que outra tinha metido os papéis para a reforma, mas disse-mo baixinho.
Logo que estive com a outra fui-lhe logo perguntar quando é que ela se ia reformar e reparei que ela ficou um bocado embatucada.
Não contente com isso hoje voltei a perguntar a mesma coisa e ela respondeu-me que não percebia a minha pergunta pois não tinha falado sobre o assunto com nenhuma cliente e perguntou-me quem me tinha dito.
Disse-lhe logo: foi a Paula! Mal lhe disse já estava arrependida...
A dita Paula veio quando eu saí dizer-me que eu não devia ter perguntado nada pois era sigilo e que tinham estado todas a comentar quem me teria dito... Mal ela sabe que até isso eu tinha contado...
Tudo para fazer conversa e para me armar em íntima.
Que mania a minha de falar demais...
Tenho impressão que não posso voltar lá pois a estas horas devem andar as duas à bulha
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