09 abril 2012

Blogando

Percorro os blogues e encontro gente frustrada, divorciada, gente que tem o prazer de escrever e gosta de exercitá-lo, gente que está só e quer conviver, gente com ideias, gente sem imaginação, muitos "copy/paste", muita coisa interessante e muita para ocupar espaço no blogger.
Eu, escrevo quando sinto necessidade de o fazer.
Umas vezes directamente no blogger, outras em papéis avulso, outras num caderno que me vai acompanhando.
Gosto de escrever directamente, mas sai-me normalmente melhor quando escrevo com a caneta.
Há meses em que escrevo muito, outros quase nada.
Nas férias da Páscoa enchi a casa de filhos e netos.
Não escrevo.
Oiço a conversa animada das filhas.
Divirto-me com a energia esfuziante das crianças ao ar livre.
Como a Mãe, gosto deste tempo da Páscoa.
Recorda-me os rapazes da aleluia e tudo o que escrevi no seu livro:


"As Páscoas eram outro “happening”.
Os preparativos começavam com “as limpezas grandes ou limpezas da Páscoa” que eram para a Mãe “um ponto de honra”.
Tudo saía do sítio.
Não havia canto que não fosse devidamente esfregado.
As carpetes e passadeiras iam todas para o terraço onde eram batidas com violência, os “amarelos” ficavam a luzir e as “pratas” a brilhar.
E ficava no ar um cheiro a cera e a limpeza.
Tudo isto era feito por um batalhão de criadas que a Mãe dirigia com toda a sua autoridade.
Para nós, era uma confusão a que nos fomos habituando, mas tenho impressão que nenhuma de nós nunca procedeu a esta operação minuciosa nas nossas casas. Não sei bem para que era tanta limpeza pois penso que nessa altura na Covilhã, não havia pó e muito menos poluição, como a que existe hoje em dia nas nossas cidades.
Vinha então a Procissão dos Passos, quinze dias antes de Domingo de Páscoa, na qual nós as três fomos vestidas de anjo, acompanhadas pelos confrades da Misericórdia (Avô Leitão e Avô Morais).
A Tété que ia acompanhada pelo Sr. José Alçada, seu padrinho e Provedor da Misericórdia, era sempre o último anjo e para nossa vaidade (e da Mãe) “o mais importante”.

Seguia-se a procissão de 6ª Feira Santa ou do “Enterro do Senhor” em que os anjos levavam mantilhas pretas. Esta procissão ainda hoje se realiza e é uma tradição impressionante, pois é acompanhada por um som metálico “as matracas” e passa por toda a cidade que se veste de luto, de respeito e de silêncio.
No Domingo de Páscoa esperávamos todos vestidos de “ponto em branco” incluindo o Pai que aparecia todo perfumado e com o cabelo esticado de brilhantina (o gel da época) pela chegada do Sr. Prior com os acólitos.
Era uma excitação.
Ainda me lembro, como se fosse hoje, da nervoseira que nos causava o sino que o sacristão trazia, os pingos de água benta nas nossas cabeças quando o Sr. Prior abençoava a casa e a barulheira que faziam na rua os “garotos da Aleluia”.
Cada um de nós devidamente provisionado com uns rolinhos de moedas de 1 e 2 tostões e meia dúzia de moedas de 5 e 10 tostões (que o Avô Leitão nos tinha preparado) íamos para a janela e atirávamos aos garotos que se acumulavam na rua como se fossem macacos.
Como este, muitos outros episódios da nossa infância, não nos prepararam minimamente para vivermos no Portugal do pós 25 de Abril, mas...cá nos fomos adaptando!"

Eu consigo fazer uma Páscoa em que as crianças se divertem imenso, principalmente por estarem todos juntos, mas...com menos religião.
Uma Páscoa com jogos de futebol, caça aos ovos, passeios pelo campo em que deram de comer a ovelhas e cabras, jogos no Ipad e filmes.
Comeram bem e regressaram a casa mais saudáveis e cheios de ar puro.
Dou graças a Deus por ter esta casa em que nos podemos, de vez em quando, juntar todos.
Foi bom!!!!

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